A famosa relação
Custo x Benefício
Por Mauro Kahn &
Pedro Nobrega do Clube do Petróleo www.clubedopetroleo.com.br
Diz a sabedoria popular que nada é caro quando
satisfaz nossas necessidades. Em contrapartida, a
mesma sabedoria rebate que existem outras situações
em que até mesmo sendo de graça já
é caro demais, uma vez que nem todos os custos
estão expostos. Podemos adquirir algo (um produto,
por exemplo) que nos satisfaça imediatamente
e mais tarde revele-se um grande transtorno. Estamos
sujeitos a estes casos porque somos movidos por emoções,
de forma que o valor de todas as coisas variam de
acordo com este fator para nós. O que não
significa, é claro, que cada objeto de desejo
não tenha um valor real e intrínseco.
Esta é uma diferenciação
que precisa ser feita se quisermos analisar relações
de custo x benefício. O preço de um
objeto de desejo pode ser avaliado a partir de dois
prismas: a qualidade percebida e a qualidade intrínseca.
A qualidade percebida é o valor subjetivo,
que varia de acordo com seus desejos, sonhos, necessidades,
etc. A qualidade intrínseca, pelo contrário,
é aquela objetiva, que decompõe os fatores
do objeto e lhe atribui valor. É esta a qualidade
que diferencia um whisky nacional de um “Scotch”
doze anos (embora o preço do whisky
escocês seja também muitas vezes potencializado
pelo status da marca, uma atribuição
de qualidade percebida). A importância da qualidade
percebida é o que, curiosamente, serve de premissa
para as grifes famosas: neste setor, uma calça
jeans, criada originalmente para vestir operários
americanos, pode custar mais de R$ 1.000,00 se o nome
da marca proporcionar ao seu dono o “privilégio”
de participar do seleto grupo de pessoas que podem
pagar R$ 1.000,00 em uma calça jeans.
É claro que, na Indústria
do Petróleo (especificamente) e no mundo empresarial
(em geral), a análise deve ser muito mais complexa
e bem fundamentada do que na compra de um jeans.
Para os especialistas, o primeiro grande
desafio está em conhecer bem os custos. É
muito comum pagarmos 2x em alguma coisa que estimamos,
no princípio, custar apenas x. Embora às
vezes seja, nem sempre a culpa é puramente
de nossa irresponsabilidade ou inabilidade para cálculos.
No setor petrolífero tudo depende extremamente
da conjuntura econômica, e tudo muda junto com
as cotações do barril. É por
isso que - nos cursos do Clube relacionados à
gestão - insisto sempre na identificação
clara de todos os processos e atividades, de forma
a nos permitir a obtenção de orçamentos
ligados a cada pequeno fragmento do projeto. É
fato que em muitos casos não é possível
obter toda esta quantidade de orçamentos com
grande antecedência; por isso deve-se desenvolver
o saudável hábito de reunir os profissionais
mais experientes envolvidos nos projetos e pedir que
estimem detalhadamente os prováveis custos
de cada iniciativa. Importante também ressaltar
que é um tanto relevante obter-se uma média
destas estimativas, pois elas variam bastante e será
preciso uma visão geral dos custos para compará-las
com as estimativas dos benefícios que pretendemos
conquistar com a implantação de tais
projetos. O conhecimento da geopolítica e das
dinâmicas de mercado também se faz fundamental
para analisar os acidentes que podem influenciar nestes
custos.
Concluída a importante fase de
estimar os custos, é chegado o momento de apurar
também os benefícios. No mundo dos empreendimentos
e indústrias, sabemos que os benefícios
tangíveis mais relevantes são aqueles
relacionados à redução de mão
de obra, economia de matéria-prima, eficiência
energética, redução de impostos
e outros encargos. No entanto, não são
os únicos: estes caminham de mãos dadas
com outros benefícios tangíveis que
também são responsáveis pelo
aumento das receitas.
Em geral, são os benefícios
tangíveis que asseguram a aprovação
de um projeto. No entanto, os benefícios subjetivos
não podem ser desprezados. Sabemos que em muitos
projetos a aprovação só ocorre
quando eles são realmente considerados e valorados.
Avaliá-los é uma tarefa complexa, pois
estamos lidando com aspectos muito subjetivos, tais
como: ganho de imagem, segurança nos processos,
aspectos motivacionais, segurança judicial
e outras particularidades. A Indústria do Petróleo,
como todo setor que envolve muitos “stakeholders”,
é bastante influenciada por benefícios
intangíveis. No setor petrolífero é
mandatório investir na segurança, manter
uma política ambientalmente responsável
e investir no marketing (social, cultural, ambiental,
etc.).
Sempre que conhecemos todos os custos
e possíveis benefícios de um projeto,
fica muito mais fácil identificarmos qual deveremos
priorizar, pois afinal, como já foi mencionado
em nosso artigo da semana passada: “Existem
sempre muito mais projetos do que recursos financeiros
disponíveis para tocá-los”. Por
esta premissa, naturalmente, a lógica nos leva
a escolher projetos com baixo custo e benefícios
significativos (tangíveis e intangíveis).
Mauro Kahn &
Pedro Nóbrega - Clube do Petróleo
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