Descentralizar não
é dar um cheque em branco
Por Mauro Kahn e Pedro
Nobrega
Embora decidir seja uma etapa estressante
do gerenciamento, muito mais difícil do que
decidir é a necessidade de delegar a decisão
para outras pessoas. É natural nossa resistência
em entregar atividades de importância (pessoal
e profissional) para quem nem sempre partilha de nossas
técnicas e visões, no entanto esta é
uma atitude indispensável para que os projetos
transcorram: ninguém, por mais talentoso ou
esforçado que seja, pode fazer tudo sozinho.
No mundo gerencial, a distribuição de
responsabilidades deve sempre caminhar no meio-termo.
Embora possamos dividir os métodos utilizados
em duas escolas – uma centralizadora e outra
descentralizadora – o gerente ideal jamais se
enquadra totalmente em nenhuma delas. As razões
não são difíceis de intuir. Por
observação, notamos que, na maioria
das vezes, os gerentes tendem a centralizar decisões.
Desta maneira, os processos tornam-se lentos e concentrados;
o gerente acumula as decisões e fica ainda
responsável por catalisar todas as etapas do
processo. Tudo isso só pode resultar em um
gerente estressado, sem férias e com reduzida
capacidade de decidir com qualidade. Vale lembrar
que, para decidir bem, são necessárias
informações que um gerente estressado
não tem tempo sequer de levantar.
Ele pode, logicamente, delegar esta tarefa de coletar
dados e fatos para seus subordinados; no entanto,
deve-se considerar que estes subordinados terão
dificuldade em desempenhar a missão, já
que não estão suficientemente envolvidos
com o problema. É bom lembrar que um gerente
centralizador pode desmotivar a sua equipe que não
se sente importante no processo. Do outro lado da
moeda está o gerente excessivamente descentralizador.
Este tipo de executivo é aquele que jamais
contrata alguém que não seja de sua
inteira confiança. A priori, esta é,
evidentemente, a postura adequada a se assumir; todavia,
não deve ser levada ao extremo.
O gerente jamais deve cair na acomodação
e delegar todas as funções inclusive
os controles arbitrariamente. Todos nós já
fomos vítimas de decisões (de boa ou
má fé) de nossos subordinados, companheiros
ou dependentes, e uma bela maneira de permitir que
isso ocorra é deixar que tomem nosso lugar
nas decisões. Faz-se necessário descentralizar,
mas descentralizar não é dar um cheque
em branco. Gerenciar positivamente é muito
mais do que simplesmente receptar e distribuir problemas.
Para ser efetivo, é fundamental que o gerente
estabeleça critérios que possam nortear
as decisões da equipe, que ele difunda a "cultura
da empresa" ou da familia .
As decisões devem respeitar as crenças
e valores da companhia e convergir para um mesmo ponto
para que ninguém assuma posições
divergentes. Quando a cultura se perde, não
há unidade: a empresa se divide em facções,
que agem de maneira contraditória e muitas
vezes com a única intenção de
disputar poder. Sem unidade não é possível
gerenciar (é a unidade o que garante que os
processos não cessarão).
É fundamental que o gerente estabeleça
também pontos de controle para poder avaliar
o desempenho, os resultados ou até mesmo a
má fé. O sucesso do gerente depende
do acompanhamento próximo e permanente, mesmo
quando estiver fisicamente distante. Hoje em dia,
graças aos sistemas gerenciais informatizados,
esta prática é bastante facilitada.
As barreiras físicas estão a cada dia
menores. Resta superar as barreiras psicológicas.
O equilíbrio é hoje o maior desafio
do gerente.
Mauro Kahn &
Pedro Nóbrega - Clube do Petróleo
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