Você presta atenção
no seu lado intuitivo?
Por Mauro Kahn e Pedro Nobrega
do Clube do Petróleo www.clubedopetroleo.com.br
Não é exagero quando afirmamos
que a maioria das decisões que guiaram a história
da humanidade foram tomadas com base na intuição.
Na época em que o homem era privado da massiva
quantidade de informação atual, restava-lhe
apenas confiar em seus pressentimentos, sensações
e experiências passadas. E foi assim que nos
comportamos até a ascensão do racionalismo,
quando nossa percepção foi alterada
e passamos a valorizar em primeiro plano as faculdades
da lógica.
Hoje vivemos um período de plenitude
nas atividades científicas, um ramo no qual
a intuição – embora se faça
ainda presente (muitos cientistas defendem sua importância)
– acaba evidentemente desvalorizada. Isso não
significa, de forma alguma, que ela tenha deixado
de agir ou se tornado menos eficiente.
No mundo empresarial, especialmente no
que concerne ao processo decisório, o preconceito
em relação a esta forma de leitura da
realidade também existe. No entanto, aqueles
que realmente já ocuparam cargos em que o número
de decisões é amplo e o tempo pressiona
a todo instante, sabem que jamais devem deixar de
prestar atenção àquela firme
sensação de que algo de positivo ou
negativo, lucrativo ou não, sairá de
determinada ação ou interferência
nos processos.
Como já foi dito acima, a questão
passa especialmente pelo estágio evolutivo
de nossa sociedade. Como vivemos em uma época
em que dados e fatos reais podem ser medidos, estes
nos sugerem uma base mais firme para tomarmos nossas
decisões. Se estivéssemos, por exemplo,
viajando com um grupo de peregrinos na Idade Média
e nos deparássemos com um outro grupo, não
teríamos qualquer idéia de como reagir,
além de dispormos de pouco tempo para decidir.
O que você faria, neste caso? Acenaria, se aproximaria,
atacaria ou fugiria? Fosse como fosse, teria que confiar
em sua intuição.
A intuição, é claro,
poderia estar errada e levar a uma luta desnecessária.
No entanto, dificilmente ela falha; o que ocorre muitas
vezes é uma má leitura, levada por algum
desejo ou medo interno. Temendo o outro grupo, você
pode desejar atacar, o que não pode ser visto
como um sentimento intuitivo. Outra confusão
muito comum é aquela que se faz entre intuição
e deduções lógicas. Diz a lenda
que Rockfeller salvou-se da Crise de 1929 porque,
ao ouvir uma conversa entre dois engraxates sobre
seus investimentos na bolsa, retirou seus próprios
aplicativos. Esta atitude não pode ser interpretada
como uma leitura intuitiva, pois é baseada
na lógica: se até mesmo os engraxates
estavam investindo na bolsa, era evidente o perigoso
caminho tomado pelo mercado financeiro.
Já foi observado pela psicologia
que nossa capacidade de intuir se desenvolve naturalmente
com o tempo: quanto mais velhos somos, mais intuitivos
nos tornamos (uma vez que a intuição
é uma junção de experiências
vividas e observadas e, de certa maneira inexplicável,
assimiladas por nosso corpo). Todos nós já
passamos pela situação de receber conselhos
de parentes ou amigos mais velhos, conselhos dados
sem nenhuma base concreta, que mais tarde mostraram-se
acertados. É sempre válido lembrar também
que aquilo trazido pela intuição nem
sempre é lógico, pois o rumo que as
coisas assumem não é necessariamente
um rumo lógico.
O processo intuitivo não pode
suplantar, evidentemente, o processo racional. Quando
temos tempo, dados e fatos em nossas mãos,
é sempre recomendável trabalhar com
eles. Ainda assim, é bom lembrar que o mundo
não está jogando a nosso favor e que
essa equação dificilmente estará
pendendo desta maneira para o nosso lado. Portanto,
mesmo que isso signifique retardar um pouco sua decisão,
não deixe de ouvir seu lado intuitivo. Saiba
quando e aquilo que ele está falando.
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