Gaste menos e ganhe mais
!
Por Mauro Kahn e Pedro
Nobrega do Clube do Petróleo www.clubedopetroleo.com.br
Seja em um processo operacional, uma negociação
ou um projeto, no ambiente empresarial visamos sempre
o lucro (leia-se, como lucro, a diferença positiva
entre o que gastamos e o que ganhamos). Embora consista
em um certo tabu abordar a questão desta maneira
– em geral a visão capitalista é
mal vista – estamos incluídos em um sistema
no qual apenas aqueles que forem competentes e criativos
o suficiente para lucrar mais do que os outros irão
se perpertuar.
No entanto, lucrar não significa colocar uma
gorda margem em cima de nossos custos e, por fim,
cobrar um elevado preço do consumidor ou cliente.
Convenhamos que o lançamento de um novo produto,
uma excelente campanha publicitária ou até
mesmo o aumento do valor de nossos bens e/ou serviços
podem representar uma boa estratégia, no entanto
ela só funcionará se a concorrência
não se movimentar o suficiente para estragar
todos os nossos planos de expansão.
Infelizmente para os empresários e felizmente
para o consumidor, o mercado está cada vez
mais concorrido e sempre haverá quem queira
descer os preços e aumentar a qualidade do
produto somente para ganhar o mercado do concorrente.
Um método que acredito mostrar-se sempre muito
mais eficaz é atacar as chances de prejuízo
de dentro para fora, focando-se no corte de nossos
custos prioritariamente e no aumento de receitas como
uma segunda necessidade. A sabedoria popular nos ensina
que custos são como unhas, pois precisam ser
cortados de semana em semana. Esta é uma verdade,
mas ainda assim ninguém poderá contestar
que cortar despesas é sempre bem mais fácil
do que aumentar as receitas. Pense e responda sobre
o que é mais fácil: trocar um almoço
requintado por um “fast food” ou conseguir
um aumento de salário?
Estamos assistindo com relativa surpresa à
forte crise pela qual passa o mercado automobilístico
americano. Embora a população mundial
sinta-se intrigada com o fato de a mesma linhagem
de executivos a qual um dia criou o Corvette e o Mustang
(orgulho de toda uma geração) estar
ameaçada de falir junto à General Motors,
ícone da indústria americana, na realidade
esta crise já se anuncia há anos, justamente
pela enorme dificuldade que estas empresas encontram
em cortar custos. Com bônus milionários
e jatinhos, os executivos americanos certamente venceriam
os seus pares asiáticos em uma partida de golf;
no mercado, no entanto, há muito tempo começaram
a perder para os carros japoneses e, nos últimos
anos, também para os coreanos.
Através de um melhor controle dos custos, os
carros asiáticos tornaram-se cada vez mais
baratos e ganharam muito também na qualidade.
Como o consumidor valoriza cada centavo gasto, se
iniciou uma progressiva perda de mercado para os americanos,
o que contribuiu para a perda econômica de escala
e agora toda esta choradeira.
Reverter estes quadros de declínio é
sempre possível, e a melhor maneira ainda é
através de um drástico corte nos gastos.
Deve-se lembrar, por outro lado, de que esta economia
jamais poderá comprometer a qualidade do bem
ou serviço; ela deve servir apenas para reduzir
o custo final do produto. Aumentando a qualidade e
investindo em propaganda, não é tão
difícil chegar lá. Haverá sempre
um caminho, se o concorrente deixar.
Mauro Kahn &
Pedro Nóbrega - Clube do Petróleo
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