Afinal quem precisa conhecer a tecnologia do petróleo?



 


Gestão de Negócios
em Petróleo

Data prevista:
Aguarde novas datas

Carga Horária: 42h


 
Gestão Tecnológica em Petróleo

Data prevista:
Aguarde novas datas

Carga Horária: 60h


 
Gestão Ambiental

Data prevista:
Aguarde novas datas
Carga Horária: 30h


 
Direito do Petróleo

Data prevista:
Aguarde novas datas
Carga Horária: 30h


 
GAPP

Data prevista:
Aguarde novas datas







 
 

A CRISE DOS GRÃOS: O MUNDO PAGA MAIS PARA COMER MENOS
Mauro Kahn & Pedro Nobrega

O jornal americano Washington Post, ao realizar uma pesquisa sobre a fome no mundo, deparou-se com uma situação triste e surpreendente: em 2008, mais 119 milhões de pessoas passaram a viver abaixo da linha de pobreza. Observada de perto, a maneira através da qual esta situação se configurou abrange os mais diversos aspectos, dos problemas ambientais à crise financeira.

 A situação trouxe de volta à tona velhas discussões acerca da fragilidade em que se posiciona o comércio de alimentos no mercado mundial, assim como a validade em permitir-se que preços e estocagem de um bem indispensável para a sobrevivência humana variem conforme o temperamento das economias ao redor do globo.

 Dentre as diversas faces da crise, destaca-se em especial a crise dos grãos, responsável pelo maior impacto no ano de 2008. Para os especialistas, a princípio parecia tratar-se apenas de uma questão ambiental: colheitas medíocres nos Estados Unidos e na Europa, além de uma prolongada seca na Austrália, levaram os preços a subir em escala global. No entanto, já se admite que a situação foi, em verdade, muito mais grave, impulsionada por acontecimentos que vieram de todos os lados (e de anos passados) para agravar a escassez de grãos e a escalada de seus valores.

 Um desses acontecimentos, pouco comentando no decorrer do ano, envolve grandes exportadores como Argentina e Ucrânia. Estes países, dentre outros, viveram no final de 2007 e no primeiro semestre de 2008 uma situação delicada em relação à inflação, impulsionada pela vertiginosa alta nas cotações do barril de petróleo. Uma das maneiras que encontraram para controlar esta inflação foi através da limitação na quantidade de grãos exportados, causando um forte impacto no suprimento global.

 A isso podemos somar outros problemas que antes eram apenas pontuais, como a alta demanda de soja na China e o desvio de 50 a 75% do milho gerado nos EUA para a produção do etanol. Sem contar com a recente crise financeira, é claro: a fuga de investidores de Wall Street teve na indústria dos grãos em outras bolsas de mercadorias um de seus principais refúgios. Tratado como ouro pelos investidores, o alimento caminha de maneira veloz para ser comercializado como tal.

 É de surpreender, até mesmo para os vendedores, a maneira como as encomendas não param de subir, apesar dos altos valores envolvidos (de 2005 a 2008 o preço dos grãos subiu em 80%, segundo relatório da ONU). Paralelos com a crise dos grãos soviéticos dos anos 70 vêm sendo confeccionados, mas a peculiar diferença é que agora, mesmo com a crise financeira, a redução no consumo não é significativa. Muito pelo contrário.

 Na Ásia, o medo da escassez de alimentos é tão grande que compradores como a Coréia do Sul e o Japão estão estocando os grãos importados com base em previsões de longo prazo (antes era comprado apenas o que seria consumido em um ou dois meses). Na Índia, apesar do belo lucro gerado através das exportações, a população urbana migra dos subúrbios para o campo em busca de alimento a preços mais justos. Em Bangladesh, 20.000 pessoas foram às ruas protestar contra os altos valores permitidos. Na Malásia, a crise atingiu proporções ainda mais sérias: quase derrubou o primeiro-ministro Abdullah Ahmad Badawi.

 É difícil afirmar com precisão os efeitos que a recente crise dos grãos terá nos próximos anos, especialmente diante do novo contexto econômico. É verdade, por exemplo, que nos últimos meses de 2008 uma queda nos preços pôde ser sentida, acompanhando a queda das bolsas e da cotação do petróleo. Por outro lado, mesmo com a crise financeira, os especialistas apontam como “fora de cogitação” o retorno dos preços aos valores estipulados em 2006. O estrago, infelizmente, já está feito, e agora tornou-se um desafio reverter a situação.

 Na Mauritânia, famílias que vivem com a renda de US$ 1,00 diário ainda optam por diminuir o número de refeições diárias para conseguir sobreviver; o alto preço do trigo eliminou o pão da dieta básica. Até mesmo a canjica, prato elementar no país por seu baixo custo e alto valor nutritivo, teve o preço de seus ingredientes aumentado em 50%, sem perspectiva de queda.

 E a tendência não é vista apenas na Mauritânia ou nos países mais pobres da África. Reflete-se, na realidade, em todo o mundo, em diferentes níveis: come-se cada vez pior em troca de cada vez mais dinheiro.

 Em dezembro, os produtores de trigo brasileiros comemoraram a recuperação dos preços, que agora sonham alcançarem novamente os valores exorbitantes de 2007. Produtores de milho e soja, ainda aguardando a mesma perspectiva de aumento, vêem nestes índices uma esperança e aguardam para também eles estourarem o champanhe. Mas, no fim das contas, será que existe realmente algum motivo para comemorar?

 Fonte: www.washingtonpost.com

Mauro Kahn & Pedro Nobrega

Veja todos os artigos anteriores

Veja os artigos de Mauro Kahn na Artigonal

 



Novidades por e-mail
Clique aqui para receber as nossas newsletters!
 
Faça parte do clube

Faça seu cadastro no clube do petróleo e tenha muitas vantagens sem qualquer custo!







Fale conosco

Ligue para um de nossos telefones:
(21) 3471-0085, 2223-1269 ou 2233-7580