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I-
ENTRE A FOME, A SEDE E OS CARROS
Por Mauro Kahn &
Pedro Nóbrega* |
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A partir da próxima segunda-feira,
o Clube do Petróleo inicia uma série
de artigos apresentando algumas tendências
geopolíticas e ambientais que prometem
marcar as discussões das próximas
décadas e definir os rumos da nova
organização mundial. Pretendemos,
através de um compreensivo estudo,
chegar a um modesto e objetivo rascunho do
que acontece hoje à nossa volta, bem
como traçar perspectivas futuras e,
naturalmente, observar possíveis maneiras
de lidar com esta nova realidade.
Em um primeiro momento, buscaremos analisar
a questão do preço crescente
dos alimentos – levando em conta seu
vínculo (geralmente esquecido) com
nossa própria cultura alimentar –
e também expor o quanto pequenos sacrifícios
em nossos hábitos alimentares já
poderiam minimizar de maneira significativa
a demanda dos recursos naturais necessários
(incluindo a água e a energia gerada
a partir do petróleo, vital para o
processo de “produção”
dos alimentos).
Outra temática será a água
e seu desperdício, essencialmente devido
ao uso inadequado, à má distribuição
e à desastrosa e crescente poluição.
Interessante observar como o maior potencial
de água do planeta costuma estar devidamente
preservado em regiões onde não
se aglomeram grandes populações,
em contrapartida com a água escassa
e geralmente poluída das regiões
mais densamente povoadas. O ponto de suma
importância é exatamente pensar
como faremos para reduzir a poluição
e garantir que estes recursos hídricos
fluam até os lugares onde a demanda
é maior.
Teremos oportunidade de analisar também
a crise energética mundial, explorando
em especial a questão da balança
de produção/consumo, a qual
aparentemente acusa um desequilíbrio
de complexa reversão, uma vez que,
apesar do elevado preço do petróleo,
a frota de automóveis mundial continua
em rápida expansão (potencializada
pelo aumento progressivo da frota chinesa
e indiana). Tanto a China quanto a Índia,
assim como os EUA, mantêm uma política
de tributação sobre os derivados
que vêm estimulando o consumo, evidentemente
agravando a questão.
Outro foco de nossa atenção
– assunto que não poderíamos
deixar de analisar em se tratando de uma nova
ordem mundial – será a evolução
econômica da China e as maneiras como
a nova potência poderá contornar
os obstáculos gerados pela falta de
recursos naturais finitos (entre eles a água)
e sustentar sua expansão meteórica.
Sabemos que hoje a potência emergente
já coloca-se em busca de fornecedores
de petróleo, gás natural e inclusive
terras para a geração de alimentos
em países do continente africano e
até mesmo no vizinho Cazaquistão
– o que conseqüentemente nos remete
à complexa situação geopolítica
envolvendo o Mar Cáspio, região
que há muitos anos se apresenta como
uma promessa de novas reservas de petróleo
e gás suficientes para equilibrar o
aumento do consumo mundial e amenizar os graves
problemas energéticos do mercado europeu,
da China e do Japão.
Será com estes temas e outros pontos
em torno deste eixo que contamos poder identificar
algumas das mais relevantes causas que limitam
a humanidade em seu crescimento objetivo e
que a levam a cometer equívocos e ignorar
oportunidades relativamente simples de evitar
a poluição do solo, da água
e do ar. Enquanto esperamos o tempo passar,
prosseguimos desperdiçando nossas energias
não-renováveis e todo o potencial
de nossa espécie.
Este artigo introdutório, os próximos
artigos da série e outros já
escritos estão disponíveis no
site www.clubedopetroleo.com.br
Mauro Kahn & Pedro Nóbrega - Clube
do Petróleo - www.clubedopetroleo.com.br
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